quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O retorno da revista Quadreca

A Quadreca, revista produzida por alunos do Curso de Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) retornou oficialmente no último mês de agosto, durante as atividades das 1as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos. Ela volta, agora, como parte de um projeto que extrapola as páginas impressas e cria uma oportunidade para os artistas da Universidade de São Paulo e de outras universidades do país. Comandado há um ano por Daniel Argento, aluno do 4º ano do curso de Editoração da ECA, o Projeto Quadreca engloba diversas atividades voltadas à criação, crítica e análise de histórias em quadrinhos, aproveitando as novas mídias. A revista deixou de estar vinculada a uma disciplina do curso e está aberta a colaboradores externos.
 
Mais que reviver a publicação, o Projeto Quadreca visa também possibilitar o acesso à produção anterior da revista ao público por meio de sua digitalização e futura disponibilização na internet. Propõe-se uma periodicidade anual para a versão impressa da revista, mas ela representa apenas uma parte do projeto atual. À edição impressa junta-se agora o site ou blog da revista, que possibilitará a publicação de histórias em quadrinhos entre uma edição impressa e outra, atuando como espaço para publicação imediata dos materiais recebidos, ponto de encontro dos colaboradores e discussão e aprofundamento de ideias. O endereço é http://www.eca.usp.br/quadreca/. A chamada para colaboração no próximo número da revista está aberta. 
 
Mais informações sobre o retorno da revista Quadreca podem também ser encontradas na última edição do Jornal do Campus, produzido pelos alunos do Curso de Jornalismo da ECA-USP, que lhe dedicou uma matéria no número de agosto de 2011 (http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2011/08/quadrinhos-ganham-espaco-com-nova-quadreca/).
 
Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

Artigo publicado: De serviçal a senhor de sua própria história: um olhar sobre a representação do negro nos quadrinhos brasileiros

Nobuyoshi Chinen e Waldomiro Vergueiro, pesquisadores do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, acabaram de ter publicado, no volume 29, número 2, Fall 2010, da Afro Hispanic Review, o artigo científico De serviçal a senhor de sua própria história: um olhar sobre a representação do negro nos quadrinhos brasileiros. O artigo oferece um panorama histórico sobre a representação dos negros e afrodescentes na trajetória do quadrinho brasileiro, chegando até as mais recentes, no formato graphic novel.   

O tema do artigo está sendo aprofundado por Nobuyoshi Chinen em sua tese de doutorado, desenvolvida atualmente no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Informações sobre a revista podem ser obtidas no endereço http://www.afrohispanicreview.com/.
 
Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Trabalho em Congresso: Tirinhas de Humor a imagem do profissional Bibliotecário nas histórias em quadrinhos

As histórias em quadrinhos representam fonte valiosa para aplicação em todas as áreas. Especialmente, elas possibilitam às diversas profissões compreender a forma como são vistas pela sociedade. Foi esta, especificamente, a preocupação do trabalho Tirinhas de Humor: a imagem do profissional bibliotecário nas histórias em quadrinhos, apresentado por Maricelia Ferreira dos Santos no XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, realizado em Maceió, Alagoas, de 07 a 10 de Agosto de 2011.

A autora, bibliotecária na Universidade do Amazonas, utiliza a expressão "tirinhas" no título do trabalho, que leva inicialmente a uma visão negativa do gênero de quadrinhos analisado. Mas isso provavelmente ocorreu por uma escolha infeliz de palavras. No geral, sua abordagem em relação às histórias em quadrinhos é positiva, examinando como a imagem do profissional bibliotecário é veiculada nesse gênero de quadrinhos. Aborda a questão da representação social como fruto das relações efetivadas quando do fazer profissional do bibliotecário, que compõe, nos quadrinhos, uma imagem caricatural e estereotipada baseada no perfil de um fazer tradicional, tecnicista, que permeou sua ação até o surgimento dos mecanismos informatizados de geração, armazenamento e disseminação da informação. Essa imagem é limitada a uma senhora de óculos, cabelos amarrados, trajes reservados, temida pelos usuários e sem expectativa de crescimento profissional. O trabalho ainda destaca a importância da pesquisa da imagem profissional em veículos de massa, especialmente as histórias em quadrinhos, pela necessidade de promover alterações tanto no contexto social, quanto no perfil de ação dos profissionais que se definem cada vez mais como gerentes da informação ou de conhecimento.

Os estudiosos dos quadrinhos sabemos que, tradicionalmente, os bibliotecários foram com frequência avessos às histórias em quadrinhos, entendendo-as como não pertencentes ao espaço das bibliotecas. Felizmente, essa prática profissional se modificou nos últimos anos, com muitas instituições da área se abrindo para os quadrinhos e inclusive constituindo, com eles, coleções especiais (as gibitecas). Assim, é muito promissor ver, em um encontro profissional da área, de caráter nacional, um trabalho que se volta para os quadrinhos como fonte de estudo sobre a imagem profissional.

A versão integral do trabalho pode ser acessada no endereço http://www.febab.org.br/congressos/index.php/cbbd/xxiv/paper/view/244/550.

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Artigo Publicado: Revistas alternativas de quadrinhos no Brasil na década de 1970: uma análise de O Bicho

Os professores Roberto Elísio dos Santos e Waldomiro Vergueiro, pesquisadores do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, acabaram de ter publicado, no número 12 da Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, o artigo científico Revistas alternativas de quadrinhos na década de 1970: uma análise de O Bicho. O artigo resulta da análise da revista alternativa O Bicho, publicada na década de 1970, durante a vigência do regime militar no Brasil. Os autores defendem que esse periódico de histórias em quadrinhos possibilitou a artistas brasileiros um espaço para sua produção, que criticava a sociedade da época. A relevância do título encontra-se na oposição feita às editoras comerciais, que davam preferência ao quadrinho estrangeiro, principalmente ao produzido nos Estados Unidos.
O artigo completo pode ser acessado no endereço http://www.alaic.net/revistaalaic/index.php/alaic/article/view/178/181.
 
Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Pesquisa Concluída: Palavra, voz e imagem: a representação feminina em Mafalda, de Quino

A pesquisa foi desenvolvida em nível de mestrado por Ana Carolina Souza da Silva, no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade da Universidade Estadual da Paraíba, sob orientação da Profa. Dra. Rosângela Maria Soares de Queiroz.

A autora parte da consideração inicial de que Mafalda, Susanita e Raquel (mãe de Mafalda) representam vozes femininas e refletem as construções do imaginário cultural da época de sua produção. Assim, os discursos e as imagens presentes nas narrativas se configuram como objeto de estudo da dissertação, já que é a partir da (re) construção de seus sentidos que se busca responder a questão de como se dá a representação da voz e da identidade feminina refletidas no imaginário de Mafalda, personagem de quadrinhos criada pelo artista argentino Quino.

A partir dessa problemática, são estabelecidas as seguintes hipóteses: 1. As histórias em quadrinhos, assim como outras manifestações da linguagem, recuperam e refletem em suas imagens, sons e escrita a memória sócio- cultural individual e coletiva de um dado contexto histórico. 2. Quino resgata os valores e os espaços sociais da mulher permitindo em suas tiras o diálogo e o confronto de ideologias entre representações femininas diferentes. 3. A partir dos discursos velados e expostos, as histórias em quadrinhos de Mafalda veiculam ideologias, formas de pensar e agir que contribuem para a formação de sua identidade feminina. 
 
O corpus da pesquisa é composto pelo livro Toda Mafalda, de Quino, que reúne praticamente todas as publicações com a personagem. O recorte para análise (12 tiras) foi realizado levando-se em consideração a relação interdiscursiva entre imagem e escrita, buscando escolher quais atendiam mais significativamente ao objetivo geral do trabalho de observação das formas das representações femininas.  

A pesquisa conclui que a tentativa de auto-afirmação feminina, de busca pelo espaço social registrado na voz de Mafalda contribuiu consideravelmente para uma ampliação/aceitação de seus seguidores ideológicos como também para uma possível negação, um estranhamento. Sugere, a partir dessa leitura, que reconhecer as representações femininas nos quadrinhos de Mafalda implica num olhar atento aos processos de produção, circulação e interpretação dos sentidos, especialmente, para a relação mantida entre o exposto e o velado, em quem diz, como diz e por que diz.

Maiores informações podem ser obtidas diretamente com a autora, nos endereços eletrônicos anacarolinaragao@gmail.com e ikebana_azul@hotmail.com.
 
Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro