segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Revista 9a Arte publica resenha sobre livro de crítica de quadrinhos


ZIP! Quadrinhos & Cultura Pop, livro de autoria de prof. Ciro Marcondes, da Universidade Católica de Brasília, é o objeto da resenha recém-publicada no volume 11 da revista 9a Arte, periódico eletrônico do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.

A resenha, assinada por Celbi Vagner de Melo Pegoraro, pesquisador do Observatório, destaca as principais características do livro de Marcondes, dando ênfase ao fato de que se trata da seleção e coletânea de uma série de textos sobre obras em quadrinhos, elaboradas pelo professor desde 2011, na webpage Raio Laser (RAIO LASER).

A apreciação crítica de Celbi também salienta a escassês, no ambiente editorial brasileiro, de obras que se proponham a realizar a crítica de quadrinhos de maneira mais séria, fugindo das declarações entusiasmadas dos fãs do gênero. Nesse sentido, o trabalho de Marcondes pode ser visto como um alento para a área, trazendo, nas palavras do resenhista, "títulos que dialogam não apenas com seu interesse pessoal, mas com uma análise que comprova o quão sofisticada é a linguagem dos quadrinhos em seus mais diversos gêneros e formatos". 

Esperamos que essa obra possa inspirar outros autores a desenvolver trabalhos semelhantes, ajudando a aprimorar a crítica de quadrinhos no país.

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A inventividade da Disney europeia


Desde a década de 1930, os quadrinhos Disney são produzidos na Europa sob licenciamento da empresa estadunidense. Entre os europeus, os roteiristas, artistas e editores italianos destacaram-se pela inovação e pela engenhosidade. Romano Scarpa, Giorgio Cavazzano (ainda na ativa), Giovan Battista Carpi, Massimo de Vita, entre outros, ganharam notoriedade entre os fãs de vários países e legaram suas formas gráficas e sua originalidade à nova geração de quadrinhistas, a exemplo de Casty (Andrea Castellan).

Este último tem como inspiração a obra de Romano Scarpa, um dos quadrinhistas que ajudou a definir o “estilo italiano” dos fumetti Disney, e que também criou novos personagens e roteiros diferentes dos tradicionais. No Brasil, a edição dos quadrinhos Disney esteve aos cuidados da editora Abril por 68 anos. Agora, essas novas histórias têm sido publicadas nas páginas das revistas produzidas pela Culturama, especialmente no título bimestral O Grande Almanaque Disney, que, pela quantidade maior de páginas, comporta narrativas mais longas.

A editora francesa Glénat, fundada em 1969 por Jacques Glénat, é responsável por álbuns de grande beleza estética e realizados por diversos nomes do quadrinho europeu da atualidade. Há edições com formatos diferenciados, como Café “Zombo”, que recria, em um álbum horizontal, as tiras de aventuras do Mickey feitas por Floyd Gottfredson na década de 1930. No álbum Mickey All Star, diversos artistas criam uma página cada um, sempre com o ratinho entrando por uma porta na primeira vinheta e saindo por outra na última. Este personagem também é o protagonista de A Juventude de Mickey, na qual ele conta para seu incrédulo netinho as aventuras que vivenciou; Misteriosa Melodia, que apresenta a primeira vez em que Mickey vê a Minnie, em uma prequela ao desenho animado O barco a vapor; e Super Mickey, na qual os super amendoins do Pateta ajudam Mickey a frustrar a fuga de bandidos, entre eles o Bafo-de-Onça. A computação gráfica é usada em Horrifikland para realçar a narrativa de terror.

Não se pode esquecer o pato Donald estrela de As mais alegres aventuras de Donald, onde apronta muitas confusões, como sempre. Nomes importantes dos quadrinhos europeus são os autores destes álbuns, a exemplo do suíço Bernard Cosey, dos franceses Nicolas Keramidas, Tebo (Frédéric Thébault), Régis Loisel e Lewis Trodndheim, além dos italianos Fabrizio Petrossi e Federico Bertolucci. Os álbuns editados pela Glénat têm um acabamento requintado e as narrativas e as artes fogem do convencional e, com os artistas listados acima, os desenhos são mais sofisticados ou simplificados e até têm o mesmo tratamento dos comix underground. No Brasil, a publicação desta série  fica a cargo da editora Panini.

Por fim, a editora Universo dos Livros coloca à disposição dos leitores a quadrinização de desenhos da Disney ou da Pixar, como graphic novels ou no estilo de mangá: A Bela e a Fera, Cruella de Vil, Descendentes, Encanto, Red – Crescer é uma fera, Elementos, entre outros títulos, que, normalmente, são destinados principalmente para o público-juvenil.

Prof. Dr. Roberto Elísio dos Santos

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Texto de pesquisador do Observatório é utilizado em prova de Instituto Federal


Recentemente, o Instituto Federal Fluminense da cidade de Macaé realizou prova para seleção de novos alunos. Na prova de português, o principal texto utilizado foi uma resenha elaborada pelo professor Roberto Elísio dos Santos, intitulada "A maioria da população brasileira é minoria nos quadrinhos".

O artigo do professor Roberto foi originalmente publicado no primeiro fascículo do volume 8 da revista 9a Arte, versando sobre a representatividade do negro nas histórias em quadrinhos brasileiras, tema do livro que foi o objeto da resenha, intitulado O negro nos quadrinhos do Brasil.

De autoria de Nobu Chinen, também pesquisador do Observatório, o livro foi publicado pela Editora Peirópolis, de São Paulo, em 2019, tendo sido resultado de sua pesquisa de doutoramento, realizada na Escola de Comunicações e Artes da USP. O livro foi originalmente distribuído aos participantes das Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos de 2019, mas pode ser encontrado em boas livrarias ou adquirido diretamente com a editora (Home - Editora Peirópolis (editorapeiropolis.com.br).

Ficamos sempre muito felizes pela apropriação de textos publicados na revista 9a Arte por instituições de ensino do país. 

A resenha pode ser acessada no endereço A Maioria da população brasileira é minoria nos quadrinhos | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br)

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

Professor Gilson Schwartz no Colóquio Científico do Observatório de Histórias em Quadrinhos


No próximo Colóquio Científico do Observatório de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), que ocorrerá no dia 15 de dezembro de 2023, teremos a participação do Prof. Dr. Gilson Schwartz, que ministrará palestra sobre "O impacto da Inteligência Artificial (IA) na elaboração de produtos da cultura pop" aos pesquisadores/participantes do Observatório e demais interessados no assunto. 

O tema chamou a atenção dos pesquisadores e da mídia em geral devido às repercussões da eliminação de um indicado ao Prêmio Jabuti na categoria Quadrinhos pelo uso de IA para elaborar sua obra. Nesse sentido, o Prof. Gilson Schwartz, docente do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da USP, onde ministra a disciplina de pós-graduação "Economia da Informação e Novas Mídias", devido a seu extenso conhecimento e experiência na área, é a melhor pessoa para trazer esclarecimento e orientação sobre o tema.

O Colóquio Científico de dezembro será realizado na sala 293 do Departamento de Informação e Cultura da ECA-USP, das 19h30 às 22h00. Será um evento híbrido, também com transmissão e acesso pela internet. Ao final do evento, será realizada a confraternização de final de ano entre os presentes, com a realização do tradicional "Amigo Supersecreto". Aos interessados em participar do "Amigo Supersecreto", basta levar uma revista/álbum/livro de histórias em quadrinhos para ser sorteado durante a confraternização.

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Cyberpunk no mangá



Cyberpunk é tudo igual? A resposta para essa pergunto, pelo menos por parte daqueles que, como eu, podem ser considerados como "leigos" nessa temática, provavelmente seria positiva. No entanto, não é o que acha João Marciano Neto, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Midiática da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista (UNESP). 

Em seu artigo, "Foucault e Freud no ethos cyberpunk de Kanshikan Tsunemori Akane", recém-publicado no dossiê especial das 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, da revista 9a Arte, Marciano Neto, partindo dos conceitos de hibridação e transculturação debatidos por Iwabuchi, Tatsumi e Ianni, realiza uma análise discursiva do mangá Inspector Akane Tsunemori e investiga a hipótese de um ethos próprio do cyberpunk japonês

Para realização dessa pesquisa, o autor recorre ao conceito de biopoder de Michel Foucault para compreender as diferenças de abordagem da cibernética de Wiener presentes no cyberpunk e, por fim, as teorias psicanalíticas de Freud, auxiliadas com as de Kawai, para entender a mudança do perfil do protagonista cyberpunk e a alegoria presente no mangá.

O artigo está disponível para leitura e download no endereço Foucault e Freud no ethos cyberpunk de Kanshikan Tsunemori Akane | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Os (des)limites do layout regular



Com o título acima, Caetano Galindo Borges, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA/UFMG) trata do uso dos espaços vazios na página de quadrinhos a partir da sua materialidade. Salienta, no entanto, que não se refere às sarjetas,  ou seja, o espaço em branco entre um quadrinho e outro, elemento regular da maioria das histórias em quadrinhos. Propõe-se, isso sim, a entender como esses espaços podem ser usados de forma a influir nas dinâmicas visuais e narrativas da página. Nesse sentido, propõe um recorte a partir do conceito de layout regular (Groensteen, 2015, p.103) e como esses espaços deixados em branco podem influenciar esse layout.

Conjugando teoria visual e artrologia, o autor realiza um estudo de caso tendo como base a obra Hedra, de Jesse Lonergan. Seu objetivo é mostrar como a omissão de quadros, criando espaços vazios, permite manipular a composição da página sem romper totalmente com a estrutura fixa que o layout regular propõe. Para chegar a essa conclusão, entende que existe uma dinâmica de expectativas cumpridas e subvertidas onde o espaço vazio torna-se elemento retórico e poético.

Trata-se de um texto instigante e audacioso, que levanta questionamentos válidos e necessários sobre a linguagem e funcionamento das histórias em quadrinhos, ajudando a melhor compreendê-la. Ele pode ser acessado no site da revista 9a Arte, no endereço Os (des)limites do layout regular | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Uso de quadrinhos em trabalhos acadêmicos - Parte 3

(Imagem disponível em: O Que São Direitos Autorais? | AutoriaFacil.com. Acesso em: 30 nov. 2023)

Ao pretender utilizar imagens de histórias em quadrinhos em um texto acadêmico, deve-se estar atento aos objetivos de uso daquela imagem específica. Nesse sentido, é importante perguntar se ela é realmente necessária e o quanto contribui para os objetivos do texto. Se a resposta for positiva, inclui-se a imagem. 

Uma segunda questão envolve a quantidade e diversidade de figuras utilizadas. São todas de um mesmo autor, de uma mesma obra?  A concentração em um autor ou obra é justificável quando ele ou ela são o objeto da pesquisa - um trabalho acadêmico sobre a personagem Mônica, de Maurício de Sousa, certamente vai pedir a inclusão de quadrinhos de que ela participe. A utilizaçao de quadrinhos de diversos autores no texto acadêmico é um demonstrativo de que a reprodução em si não é o objetivo principal que está sendo buscado.

A utilização de imagens de histórias em quadrinhos não isenta o autor do texto acadêmico de indicar a fonte da figura e incluir todos os dados bibliográficos da obra original. Cada imagem precisa ser identificada, informando-se onde está disponível, de que obra foi retirada e quem é o seu autor. O direito moral do autor da história em quadrinhos - o de ter sua autoria reconhecida -, é uma questão indiscutível a ser respeitada e preservada pela pesquisa acadêmica. Especialmente - e eu diria até: mais, ainda -, pelos que se dedicam às histórias em quadrinhos.

Pode-se também falar de níveis de utilização que talvez orientem ou tragam mais tranquilidade quanto à utilização de quadrinhos nas obras acadêmicas. Um trabalho de conclusão de curso de graduação, por exemplo, tem uma circulação restrita e dificilmente causaria grande repercussão. É improvável que algum autor vá se sentir lesado pela utilização de sua obra em uma produção desse tipo - pode até se sentir lisonjeado. Dissertações de mestrado e teses de doutorado ainda têm a mesma restrição de circulação, mas seu impacto na comunidade acadêmica, em princípio, é maior. Dependendo do tom e nível de crítica utilizados, podem causar desconforto aos autores. Artigos científicos elaborados a partir de produções acadêmicas ampliam o âmbito de circulação do texto original e podem chamar mais atenção, com impacto difícil de ser dimensionado a priori. A publicação de obras acadêmicas em formato livro exige maior atenção quanto à questão dos direitos autorais e os editores costumam ser mais zelosos a respeito disso. 

Por outro lado, mesmo considerando a "gradação" mencionada, tão importante quanto lançar mão das possibilidades legais para utilizar quadrinhos em textos acadêmicos, a regra do bom senso deve prevalecer: na dúvida, não utilize - peça autorização. Se o número de imagens de um mesmo autor parece exorbitante ou se o texto pode prejudicar o potencial econômico da obra original, o melhor a fazer é entrar em contato com o detentor dos direitos autorais e submeter-se à sua vontade. Nesse sentido, é importante ter em mente que isso significa um compromisso: se pedir autorização para usar, tem que seguir o que o autor disser

Devidamente considerada, acredito que a utilização de imagens de quadrinhos em textos acadêmicos pode conviver harmoniosamente com os direitos dos autores.

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro