domingo, 3 de novembro de 2024

Publicado mais um artigo do dossiê das Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos

 


Acaba de ser publicado mais um artigo do dossiê especial da revista 9a Arte (9ª Arte (São Paulo) (usp.br)) dedicado à divulgação de trabalhos apresentados nas 8as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em agosto de 2024 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Intitulado Mo Dao Zu Shi: adaptando uma web novel para história em quadrinhos , o artigo é de autoria de Beatriz Corrêa Oscar da Silva, aluna da Universidade Federal de Juíz de Fora. O texto visa analisar a adaptação da web novel chinesa Mo Dao Zu Shi para manhua, história em quadrinhos chinesa, considerando os aspectos formais da linguagem dos quadrinhos e o modelo de análise da Teoria da Adaptação, proposto por Linda Hutcheon, que também se preocupa com a recepção das obras e os contextos cultural, histórico e social envolvido.

O artigo está disponível para leitura e download no endereço Mo Dao Zu Shi: adaptando uma web novel para história em quadrinhos | 9ª Arte (São Paulo).

prazo para envio de artigos para o dossiê encerra-se em 03 de novembro de 2024. As orientações gerais para elaboração dos artigos estão disponíveis em Orientações gerais para os Dossiês das 8as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro


sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Fredrik Strömberg - Encontro na ECA-USP - "Imagens Negras nos Quadrinhos: Uma História Visual"

 


O Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP promove  encontro com o jornalista e pesquisador sueco Fredrik Strömberg. O evento ocorre no dia 5 de novembro  de 2024, das 14h30 às 17h no Auditório Freitas Nobre no Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), na Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo. A presença de Strömberg tem o apoio da Embaixada da Suécia no Brasil

A coordenação será dos professores Roberto Elísio dos Santos e Celbi Pegoraro. A presença é livre para todos os interessados.

Fredrik Strömberg é um escritor e jornalista sueco especializado em histórias em quadrinhos. Sua apresentação será sobre as “Imagens Negras nos Quadrinhos: Uma História Visual”, tema de seu livro, que está lançando no Brasil.

O convidado ocupa posições importantes no campo, incluindo editor-chefe da revista Bild & Bubbla e fundador do Arquivo de Quadrinhos na Suécia.

Strömberg também leciona na Escola de Arte em Quadrinhos da Suécia

Seus livros abordam diversos temas relacionados aos quadrinhos:

    • História dos quadrinhos, com foco na tradição sueca

    • Representações de grupos étnicos e culturais nos quadrinhos

    • Uso dos quadrinhos como ferramenta de propaganda e crítica social

    • Imagens judaicas nos quadrinhos

    • Relação entre quadrinhos e religião

    • Conexões entre quadrinhos e cultura do Oriente Médio

Strömberg publicou várias obras em inglês, como Swedish Comics History, Black Images in the Comics, Comic Art Propaganda e Comics and the Middle East. Seu trabalho examina como os quadrinhos refletem e influenciam questões sociais, políticas e culturais, explorando o papel dessa mídia na sociedade contemporânea. Strömberg analisa como a cultura e os quadrinhos se influenciam mutuamente, atravessando fronteiras nacionais e culturais.

Em sua passagem pelo Brasil, ele participa da 70ª Feira do Livro de Porto Alegre e do 1º Encontro Internacional da ASPAS (Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial) na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – campus Campo Grande.

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quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Publicado o segundo artigo do dossiê das 8as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos

 

Já está no ar o segundo artigo do dossiê especial da revista 9a Arte (9ª Arte (São Paulo) (usp.br)) dedicado à divulgação de trabalhos apresentados nas 8as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em agosto de 2024 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP)

segundo artigo publicado no dossiê, intitulado O Vigia/Watchman: Mulheres espectraisé de autoria de Flávio CRO Aryanne Araújo, e busca relacionar as obras O Vigia/Watchman, do artista Flávio CRO; a história em quadrinhos Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons; e a obra literária 1984, de George Orwell, a partir das percepções possíveis sobre o feminino nessas obras.

O artigo está disponível para leitura e download no endereço O Vigia/Watchman: Mulheres espectrais | 9ª Arte (São Paulo)

prazo para envio de artigos para o dossiê encerra-se em 03 de novembro de 2024. As orientações gerais para elaboração dos artigos estão disponíveis em Orientações gerais para os Dossiês das 8as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Pesquisadores do Observatório de Histórias em Quadrinhos participam de dossiê da revista Signum


 

A revista Signum: Estudos da Linguagem disponibilizou, em, seu fascículo mais recente, um dossiê enfocando a temática Histórias em quadrinhos: interaces linguísticas.

Dois pesquisadores do Observatório de Histórias em Quadrinhos participam do volume.

Paulo Eduardo Ramos, também docente da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) é um dos organizadores do volume. Já Celbi Vagner Melo Pegoraro, docente recém-contratado da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, comparece com o artigo "Webtoon: da plataforma digital ao hipergênero multimídia nas histórias em quadrinhos (Vista do Webtoon).

Além dos dois pesquisadores, também colaboram no dossiê Rozinaldo Antonio Miani, com o artigo "Humor e mundo do trabalho: uma análise dos conflitos nas relações de trabalho nas tiras “Ócios do Ofício”; Maria Isabel Borges, na organização do volume; e Nataniel dos Santos Gomes, com o artigo "O Afrofuturismo na adaptação sequencial de Kindres (2017)". Os três são membros do Conselho Editorial Científico da revista 9a Arte, publicada pelos Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP (9ª Arte (São Paulo).

Cumprimentamos todos os colegas por mais essas produções para o campo do conhecimento das histórias em quadrinhos.

A revista Signum: Estudos da Linguagem, pode ser acessada no endereço v. 27 n. 2 (2024): Histórias em quadrinhos: interfaces linguísticas | Signum: Estudos da Linguagem.

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sábado, 19 de outubro de 2024

Textos mais recentes da revista 9a Arte - volume 12


O volume 12 da revista 9a Arte publicou recentemente uma resenha e dois artigos. São os seguintes:

Lugar de mulher é nos fanzines (ou onde ela quiser) - resenha elaborada por Roberto Elísio dos Santos sobre o livro BraZineiras: o protagonismo feminino nos fanzines. Disponível em: Lugar de mulher é nos fanzines (ou onde ela quiser) | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

A metáfora dos mutantes e a religião das máquinas em House of X/Powers of X - artigo de autoria de Rafael Rodrigues Lourenço Marques e Wanderleia Pereira da SilvaTrata-se de uma reflexão sobre as primeiras edições das histórias em quadrinhos House of X e Powers of X, de Jonathan Hickman, da editora Marvel Comicsa partir de autores como Flusser e Erick Felinto. Disponível em: A metáfora dos mutantes e a religião das máquinas em House of X / Powers of X | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

“A morte da porraloca”: Rê Bordosa, tédio existencial e o terrível vírus do mundo moderno - artigo de autoria de Cristian de Paula. Parte da premissa de que as histórias em quadrinhos do artista paulista Angeli, espécie de “rock star” dos anos 1980 e 1990, chegaram a um ponto crucial ao se findar o destino de uma de suas personagens mais famosas, a Rê Bordosa, em fins de 1987. Mas por que Angeli decidiu assassinar sua "galinha dos ovos de ouro"? A morte da personagem tem a ver com uma crise do autor que dialoga com um momento específico da realidade cultural (e política) brasileira: os anos 1980. Disponível em: “A morte da porraloca”: Rê Bordosa, tédio existencial e o terrível vírus do mundo moderno | 9ª Arte (São Paulo). (usp.br).

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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Dossiê 8as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos


Iniciada a publicação do dossiê especial da revista 9a Arte (9ª Arte (São Paulo) (usp.br)) dedicado à divulgação de trabalhos apresentados nas 8as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em agosto de 2024 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP)

Organizadas pelo Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, as Jornadas ocorrem anualmente, recebendo trabalhos sobre histórias em quadrinhos relacionados a pesquisas desenvolvidas no Brasil e no exterior. Os trabalhos apresentados na 8a edição do evento, em formato de artigo científico, são avaliados pelo Conselho Editorial Científico da revista 9a Arte e publicados em fluxo contínuo.

O primeiro artigo publicado no dossiê é de autoria de Iuri Biagioni e Iuri Andréas Reblin, versando sobre a história em quadrinhos Reino do Amanhã (Venha a nós o reino do amanhã: uma análise da ideia de salvação e dos elementos religiosos presentes na graphic novel de Mark Waid e Alex Ross | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br)).

O prazo para envio de artigos para o dossiê encerra-se em 01 de novembro de 2024. As orientações gerais para elaboração dos artigos estão disponíveis em Orientações gerais para os Dossiês das 8as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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terça-feira, 15 de outubro de 2024

46o Colóquio Científico do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP


Já estao disponíveis no YouTube as gravações das duas partes do 46o Colóquio Científico do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.

Realizado em 07 de junho de 2024, o Colóquio teve a seguinte programação:

1. Apresentação da tese de doutorado do professor Lielson Zeni, intitulada Crises no quadrinho brasileiro do século 21, defendida em 29 de fevereiro de 2024. A pesquisa foi realizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Programa de Pós-graduação em Letras (Ciência da Literatura), sob a orientação da Profa. Dra.Danielle dos Santos Corpas.

2. Discussão do livro The Routledge Companion to Comics, de Frank Bramlett, Roy T. Cook e Aaron Meskin (eds.), com a apresentação do capítulo “East Asian Comix", de José Alaniz, sob a coordenação de nosso colega professor Alberto Pessoa (Universidade Federal da Paraíba).

Realizados de forma online, os Colóquios Científicos do Observatório ocorrem em geral na primeira ou segunda sexta-feira do mês, com participação aberta a todos os interessados. Para receber o link do colóquio científico virtual do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP é necessário preencher um formulário no Google. Quem já o fez em outra ocasião não precisa repetir a inscrição.

As gravações estão disponíveis, respectivamente, nos seguintes endereços46º Colóquio (parte 1): Crises do quadrinho brasileiro no século 21 - Lielson Zeni (youtube.com) e 46º Colóquio (parte 2): Quadrinhos na Ásia e a Interculturalidade com Alberto Pessoa (youtube.com).

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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

45o Colóquio Científico do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP - 2a Parte

 


Já está disponível no YouTube (45º Colóquio (parte 2): Histórias em Quadrinhos do Leste europeu e da Europa central - Nobu Chinen - YouTube) a gravação da segunda parte do 45o Colóquio Científico do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.

Realizado em 10 de maio de 2024, o Colóquio teve a seguinte programação:

1. Apresentação da pesquisa de Mestrado de Lya Calvet, intitulada Obras abertas em quadrinhos: estratégias semióticas de abertura no campo da manualidade. A pesquisa foi realizada na Universidade Federal do Ceará, sob a orientação do Prof. Dr. Felipe de Castro Muanis.

2. Discussão do livro The Routledge Companion to Comics, de Frank Bramlett, Roy T. Cook e Aaron Meskin (eds.), com a apresentação do capítulo “Eastern/Central European Comics", de José Alaniz, sob a coordenação de Nobu Chinen.

Realizados de forma online, os Colóquios Científicos do Observatório ocorrem em geral na primeira ou segunda sexta-feira do mês, com participação aberta a todos os interessados. Para receber o link do colóquio científico virtual do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP é necessário preencher um formulário no Google. Quem já o fez em outra ocasião não precisa repetir a inscrição.

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domingo, 29 de setembro de 2024

Cavaleiros do Zodíaco sob o olhar da Teopoética



O animê Cavaleiros do Zodíaco fez enorme sucesso na televisão brasileira durante a década de 1990. Originalmente intitulada Saint Seiya, trata-se de uma série de mangá escrita e ilustrada por Masami Kurumada. O mangá estreou no Japão em 1985 na revista semanal Weekly Shonen Jump, publicada pela Editora Shueisha. Os capítulos de Cavaleiros do Zodíaco foram publicados até 1990

Atingindo muito sucesso, a série de mangá conquistou uma legião de admiradores no Japão. Assim, como acontece geralmente com publicações de mangá que se destacam, Cavaleiros do Zodíaco logo recebeu uma compilação completa em volumes, chamada tankobon, e deu origem a uma adaptação em série de desenho animado que ganhou o mundo.

O mangá Cavaleiros do Zodíaco é o objeto da pesquisa de doutorado de João Paulo Vicente Prilla. Um recorte dessa tese foi apresentado pelo autor nas 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em São Paulo, em agosto de 2023, constituindo o artigo "Cavaleiros do Zodíaco: um mangá teopoético".

No artigo, o Prilla defende que essa história em quadrinhos japonesa tem a mitologia grega como elemento estruturante de sua narrativa, mas que a mitologia grega presente na obra, por seu turno, é atravessada pela conjugação de outras temáticas – religião, astronomia e astrologia. A partir dessa combinação, Kurumada formulou um conceito fundamental para a história: o cosmo, também chamado de sétimo sentido. Trata-se de uma ideia complexa e original, a qual confere uma atmosfera mística e espiritual ao mangá. 

O artigo, recentemente publicado no dossiê da revista 9a Arte dedicado às 7as Jornadas, tem por objetivo expor brevemente a natureza do cosmo, efetuando uma leitura teopoética da obra a partir desse conceito. Para tanto, o quadro teórico que embasa o estudo está ancorado essencialmente na teopoética, que propõe os estudos comparados, num primeiro momento, entre religião e literatura, não demorando a incorporar outras manifestações artísticas – dentre elas a história em quadrinhos – em seus interesses de pesquisa. 

Interessados em conhecer o texto completo do artigo podem encontrá-lo em Cavaleiros do Zodíaco: um mangá teopoético | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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sábado, 28 de setembro de 2024

HQs Independente-Autofágico-Abstratas


Cada vez mais, parecem se multiplicar as maneiras de encarar as histórias em quadrinhos. Nos últimos tempos, temos visto análises que colocam em segundo plano o aspecto narrativo dos quadrinhos e mergulham em considerações que se baseiam na poética e nas artes visuais. Nesse sentido, Gazy Andraus e Guilherme Lima Bruno e Silveira defendem, com bastante propriedade, que as histórias em quadrinhos não se limitam à sua própria linguagem de narrar histórias imagético-textuais, mas podem flertar com artes poéticas, visuais e além

Essas e outras ponderações na mesma linha são feitas no artigo "HQs Independente-Autofágico-Abstratas", publicado em abril de 2024 no dossiê especial da revista 9a Arte dedicado aos trabalhos apresentados nas 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos. No artigo, os autores defendem que, em diversos momentos, principalmente a partir da década de 1970, foram realizadas experiências ricas na exploração livre da estrutura das histórias em quadrinhos, dando como exemplos a editora Le Terrain Vague, principalmente na publicação Saga de Xam, assim como Metal Hurlant e o quadrinho autoral que se estabelece a partir desse período. 

No Brasil, por sua vez, essas investidas se mostram relevantes nos quadrinhos poético-filosóficos, mas também têm tido sua presença em produções que exploram a abstração nessa linguagem. O  artigo procura localizar a antologia Autofagia, publicada pelo Selo Risco Impresso, dentro desse território da experimentação e autoralidade, mostrando como suas páginas abordam a vanguarda das histórias em quadrinhos e seu flerte com as artes, a poesia visual e o poema/processo.

Interessados podem ter acesso ao texto completo do artigo em: HQs Independente-Autofágico-Abstratas! | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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Revista 9a Arte publica dossiê com trabalhos apresentados nas 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos



A revista 9a Arte, periódico eletrônico especializado do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, concluiu a publicação dos artigos científicos apresentados nas 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em São Paulo, em agosto de 2023. Os artigos completos passaram por avaliação do Conselho Científico, constituindo um dossiê especial da revista. Ele é composto por 47 artigos

O dossiê está disponível no endereço: 2023: Dossiê das 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

45o Colóquio Científico do Observatório de Histórias em Quadrinhos disponibilizado no YouTube



Já está disponível no YouTube (45º Colóquio (parte 1): Obras abertas em HQ - estratégias semióticas no campo da manualidade. - YouTube) a gravação da primeira parte do 45o Colóquio Científico do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.

Realizado em 10 de maio de 2024, o Colóquio teve a seguinte programação:

1. Apresentação da pesquisa de Mestrado de Lya Calvet, intitulada Obras abertas em quadrinhos: estratégias semióticas de abertura no campo da manualidade. A pesquisa foi realizada na Universidade Federal do Ceará, sob a orientação do Prof. Dr. Felipe de Castro Muanis.

2. Discussão do livro The Routledge Companion to Comics, de Frank Bramlett, Roy T. Cook e Aaron Meskin (eds.), com a apresentação do capítulo “Eastern/Central European Comics", de José Alaniz, sob a coordenação de Nobu Chinen.

Realizados de forma online, os Colóquios Científicos do Observatório ocorrem em geral na primeira ou segunda sexta-feira do mês, com participação aberta a todos os interessados. Para receber o link do colóquio científico virtual do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP é necessário preencher um formulário no Google. Quem já o fez em outra ocasião não precisa repetir a inscrição.

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfDtCo949MNUA5drCshnY4GiU4ILRbnoG814295sOgbqEouXQ/viewform.


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Pesquisadores do Observatório de Histórias em Quadrinhos participam do 1o Quadrital

Organizado pelo grupo de pesquisa QUADRITAL (Quadrinhos, Tradução, Acessibilidade e Linguagens), da Universidade de Brasília, o evento tem o objetivo de abrir um novo espaço de trocas sobre as histórias em quadrinhos. Ele irá ocorrer nos dias 4 e 5 de novembro de 2024, no Beijódromo da Universidade de Brasília.

O tema principal do evento será QUADRINHOS E MUNDO DIGITAL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES, debatendo as mudanças na forma de ler, interagir e produzir quadrinhos ocorridas nos últimos anos com a popularização das redes sociais e das ferramentas digitais, além de também discutir questões de ética provocadas por essas mudanças

Os professores Paulo Ramos, Nobu Chinen e Sonia Luyten, membros do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP terão participação destacada. Paulo irá proferir a conferência de abertura, versando sobre o tema Quadrinhos: Questões de ética e censura na internet; Nobu será debatedor e mediador do debate sobre o tema Quadrinhos para além das vinhetas e Sonia Luyten será debatedora na temática Tradução de quadrinhos na era digital: scanlations e fansubs de mangás, além de ser também homenageada no evento.

Outros importantes pesquisadores da área também participararão. As inscrições serão gratuitas.

Mais informações sobre programação e apresentação de trabalhos podem ser obtidas em Quadrital (@encontroquadrital) • Instagram photos and videos.

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terça-feira, 17 de setembro de 2024

Pesquisador do Observatório aprovado em concurso para professor na USP


Celbi Vagner Melo Pegoraro, pesquisador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo foi aprovado em concurso público de títulos e provas visando o provimento de Professor Doutor junto ao Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP, na área de "Teoria e Pesquisa da Comunicação e História do Jornalismo"

Formado em Jornalismo pela Universidade Mackenzie, Celbi fez o doutorado direto no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação na ECA, orientado por membro do Observatório. Atuando há anos no Observatório, é um dos coordenadores das Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos e responsável pela produção de videos e alimentação do canal do Observatório no YouTube.

Celbi foi indicado pela banca à Congregação da Escola para provimento do cargo, tendo recebido duas indicações de membros da banca e a maior média entre os candidatos

O Observatório de Histórias em Quadrinhos cumprimenta o colega por essa conquista e deseja-lhe muito sucesso na carreira docente.

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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Webtoons e manhuas no Brasil



No Brasil, o atrativo de produtos midiáticos sul-coreanos a cada ano ganha mais destaque. Este fenômeno não parece ser exclusividade nossa, uma vez que Coreia do Sul vem ampliando seu espaço de influência mundialmente, divulgando sua cultura e estilo de vida. Tudo leva a crer que isso se deve, entre outras coisas, a sua capacidade de expansão cultural em meio global

O seu crescimento se deu a partir dos investimentos em diversos setores culturais e um deles foi o de histórias em quadrinhos, conhecidas como manhwas, que ao serem produzidas e distribuídas no meio online, também são denominadas webtoons. No entanto, a disseminação desses quadrinhos no Brasil ainda é muito restrita, principalmente devido às poucas traduções que existem para a língua portuguesa. 

Considerando essas questões, Letícia Veiga Castelo Branco, da Universidade de Brasília, busca discutir, no artigo intitulado "Webtoon e Manhuas: a acessibilidade digital e a sua influência na leitura no Brasil", os impasses mercadológicos da distribuição dos webtoons e como isso afeta os leitores brasileiros que buscam cada vez mais acessar esse conteúdo.

Publicado no dossiê especial da revista 9a Arte dedicado aos trabalhos apresentados nas 7as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em 2023, o artigo está disponível no endereço Webtoons e Manhwas: a acessibilidade digital e a sua influência na leitura no Brasil | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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Metapicture e histórias em quadrinhos

No livro Picture theory, W. J. T. Mitchell desenvolve uma teoria iconológica em que  defende  ser a  imagem  uma  grande  fonte  teórica e que “alguns desenhos  e  pinturas  foram  responsáveis  pelo  desenvolvimento  de  textos  científicos  e filosóficos”. Apoiando-se na teoria desse autor, Marcus Vinicius de Paula e Alberto K. Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), utilizam a metalinguística para pensar a relação entre a narrativa na pintura figurativa e nos quadrinhos. Para tanto, demonstram inicialmente o potencial das imagens autorreflexivas e suas aptidões teórico-críticas, para, em seguida, mostrar como os comics ampliaram a investigação da metapicture pelo uso do humor. Depois, lançando mão de alguns exemplos da revista MAD, defendem que existe grande potencial crítico na projeção de uma linguagem visual sobre a outra. Por fim, apresentam um panorama da riqueza crítica de experiências em quadrinhos que colocam em questão a linguagem pictórica acadêmica.

Essas reflexões dos autores constam do artigo Metapicture: pintura de história em quadrinhos”, no volume 12 da revista eletrônica 9ª Arte, atualmente sendo publicada em fluxo contínuo. O artigo pode ser acessado no endereço https://www.revistas.usp.br/nonaarte/article/view/220026.

A revista 9ª Arte tem por objetivo divulgar artigos científicos inéditos sobre histórias em quadrinhos, resultantes de pesquisas acadêmicas desenvolvidas por pesquisadores do Brasil e do exterior. As diretrizes para submissão estão em Submissão | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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terça-feira, 30 de abril de 2024

A perspectiva de mundo pelo viés de uma borboleta

As tiras em quadrinhos de Téo & o Mini Mundo, uma criação do desenhista Caetano Cury, tiveram seu início em 2012. Pode-se dizer que, com mais de uma década de publicação, estão suficientemente maduras para serem objeto de interesse dos estudiosos de quadrinhos. De fato, elas apresentam  uma proposta filosófica e provocam diversas reflexões a respeito da humanidade. Seus temas que vão desde o retrato do exterior do “outro” até à inquietude existencial dos sujeitos, os quais combinam com o lugar que ocupam em relação ao mundo onde vivem. Eulália e Téo são as personagens protagonistas e fixas da série, cada um apresentando determinadas características

É sobre essas características, especialmente as da borboleta Eulália, que Maria Heloiza Alves Pereira Santana, mestranda em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina, se debruça no artigo "O protagonismo de Eulália na construção das tiras em Téo & o Mini Mundo, de Caetano Cury", visando mostrar, por meio da análise descritiva, como o protagonismo da personagem Eulália, uma borboleta a quem são atribuídas características humanas, como falar e pensar, é construído nas trinta primeiras tiras do primeiro volume de Téo & o Mini Mundo: o livro.

A perspectiva de mundo é de grande proeminência na linguagem dos quadrinhos, dizendo muito sobre  os sujeitos à proporção que, com a pós-modernidade, a identidade se fragmentou. Desde a sequência narrativa da tira até contrapondo-se à personagem Téo, o garotinho, através de hipóteses e até mesmo perguntas como respostas, Eulália provoca a própria percepção de Téo, deixando-o reflexivo. As tiras mobilizam abordagens como a relação entre o “eu” e o “outro” e o lugar que os sujeitos ocupam em relação ao mundo em que vivem. Nesse sentido, a autora dedica especial atenção aos movimentos de Eulália que acompanham as falas de Téo e os cenários para a construção dos sentidos para evidenciar os caminhos de inquietude para compreensão do humano. 

O artigo representa mais uma contribuição ao dossiê das 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, evento ocorrido em agosto de 2023, que vem sendo publicado desde o segundo semestre desse ano na revista 9a Arte. Ele está disponível em: O protagonismo de Eulália na construção das tiras em Téo & o Mini Mundo, de Caetano Cury | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).


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Medo e identidade em quadrinhos autobiográficos



As histórias em quadrinhos de tom autobiográfico são muito populares hoje em dia. Ainda que não representem uma novidade do meio, pois já na década de 1970 o autor underground estadunidense Harvey Pekar, auxiliado por diversos desenhistas, historiava seu dia-a-dia utilizando a linguagem dos quadrinhos, na série intitulada como American Splendor. Mais recentemente, o inegável sucesso da produção autobiográfica da artista Alison Bechdel foi como que o estopim para o aparecimento de muitas obras de qualidade nesse gênero de quadrinhos.

O álbum autobiográfico Desconstruindo Una é de 2015. Produzido por uma autora britânica (pseudônimo: Una), trata, por meio da narrativa, a combinação de memórias e jornalismo , retratando a violência contra a mulher em uma época conservadora e machista. Assim, a leitura da obra nos desvela um período da vida da personagem Una que foi orientado pelo medo, o qual despertou um doloroso processo de desconstrução identitária

Sobre essa obra versa o artigo de autoria de Angélica Regina Gonçalves Bertolazzi, mestra e doutoranda na Universidade Estadual de Londrina, que tem por objetivo principal verificar se o medo é um fator constituinte da identidade da protagonista da história, visto que essa emoção é evocada pelas memórias de uma vítima de abusos sexuais durante a infância e a adolescência. Para isso, a autora realizou um levantamento bibliográfico que permitiu a construção da fundamentação teórica relativa ao medo, à identidade e à linguagem dos quadrinhos, ao perceber a relevância do medo e a sua metaforização verbo-visual no processo identitário de Una. Pela análise de cunho interpretativista, obteve-se a confirmação do medo como fator substancial na constituição da identidade e a sua ressignificação, a partir do momento que a protagonista decide dar fim ao silêncio e intenciona ser voz para outras vítimas de violência sexual.

Recentemente publicado no dossiê das 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, da revista 9a Arte, o artigo científico "Medo e identidade: o impacto da violência em Desconstruindo Una" pode ser baixado e lido no endereço eletrônico Medo e identidade: o impacto da violência em Desconstruindo Una | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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Medo e Expressionismo na versão em quadrinhos de O Corvo, de Edgar Allan Poe


O poema O Corvo, do autor romântico estadunidense Edgar Allan Poe, talvez seja um dos mais conhecidos da língua inglesa. Em uma atmosfera sobrenaturalaborda a visita misteriosa de um corvo falante a um homem que lamenta a perda de sua amada e vai enlouquecendo aos poucos. Ele já foi vertido para muitos idiomas, tendo recebido versões em nosso idioma por parte de dois grandes escritores, o brasileiro Machado de Assis e o português Fernando Pessoa. Também foi objeto de adaptações em outra mídias, como a comédia de horror estrelada por Vincent Price, Peter Lorre e Boris Karloff, de 1963. Também as histórias em quadrinhos se interessaram por essa obra poética, com várias versões ao longo dos anos.

O artigo de Alessandra Hypolita Valle Silva Lopes, recentemente publicado na revista 9a Arte, analisa uma dessa versões, a história em quadrinhos O Corvo, lançada pela Editora Diário Macabro, com roteiro e ilustrações de Leander Moura. Segundo a autora, adaptação para os quadrinhos é retratada em um cenário melancólico, perturbador, realçado em preto e branco, inspirado na atmosfera do Expressionismo, resultando em uma cadência assustadora de imagens, cobertas por nuances e sombras. 

A história em quadrinhos permite questionar como as histórias de terror e mistério de Poe, que muitas vezes exploram temas como a morte, a insanidade e a culpa, podem ser analisadas como uma metáfora da linguagem do cinema expressionista. Assim, o artigo aborda como a adaptação da obra de Edgar Allan Poe e o contraste em claro-escuro tornam a atmosfera propícia aos sentimentos de medo por parte do leitor. Para alcançar a análise crítica almejada, utiliza-se o referencial teórico de Sigmund Freud, Linda Hutcheon e Marcel Martin.

Intitulado "O Corvo: as sombras do Expressionismo como atmosfera do medo", o artigo pode ser acessado no dossiê dedicado ao trabalhos apresentados nas 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em 2023, no endereço O Corvo: as sombras do Expressionismo como atmosfera do medo | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

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quarta-feira, 10 de abril de 2024

Quadrinhos no Instagram


As chamadas redes sociais têm surgido cada vez mais como espaço privilegiado para a publicação de histórias em quadrinhos. Devido a sua praticidade, baixo custo e disseminação, elas surgem aos olhos de autores e consumidores como uma verdadeira mina onde podem ser encontradas produções quadrinísticas de todos os tipos, gêneros, estilos e motivações. Autores iniciantes encontram nas redes sociais os leitores que antes não conseguiam atingir com seus esforços individuais por meio de fanzines e publicações alternativas. Autores mais experientes e conhecidos podem ter nas redes sociais um ambiente privilegiado para ampliar e sedimentar o seu público, além de nelas encontrar a possibilidade de produzir obras não dependentes de editoras ou empresas comerciais, fugindo da ditadura do mercado. Elas parecem ser "o melhor dos mundos possíveis", como dizia Voltaire

Serão mesmo?

Essa é a pergunta que parece estar subjacente às reflexões de Maiara Alvim de Almeida, pesquisadora do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) em seu artigo "O Instagram como suporte para publicação de quadrinhos: vantagens e desvantagens da publicação em uma rede social", recentemente disponibilizado na edição da revista 9a Arte dedicada aos trabalhos apresentados nas 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em agosto de 2023.

No artigo, a professora destaca como publicar em uma rede social aparece não apenas como opção, mas muitas vezes como um imperativo para autoras e autores, tendo em vista a visibilidade que o canal, em tese, lhes traria. A possibilidade vem com diversos pontos positivos tanto para autores quanto para leitores, mas vem igualmente seguida de pontos negativos. Com tais reflexões em mente, ela apresenta as possibilidades de publicação na rede social, apontando os pontos positivos e negativos que a opção traz para quadrinistas. 

Trata-se de uma discussão atual e necessária de uma temática importante para todos os envolvidos no campo científico das histórias em quadrinhos, divulgando os resultados de uma pesquisa que vem sendo realizada há mais de quatro anos, contando, inclusive, com apoio de diversas instituições de fomento

O artigo pode ser acessado no endereço O Instagram como suporte para publicação de quadrinhos: vantagens e desvantagens da publicação em uma rede social | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

Semiótica de história em quadrinhos


A Semiótica vem sendo muito utilizada na análise de histórias em quadrinhos. Pelo menos duas obras com um olhar para os quadrinhos, produzidas por pesquisadores brasileiros de destaque na área estão disponíveis no mercado editorial: Semiótica visual: os percursos do olhar, de Antonio Vicente Pietroforte (Ed. Contexto) e Elementos de semiótica: por uma gramática tensiva do visual, de Carolina Tomasi (Ed. Atlas). Existem também muitos artigos científicos sobre o tema, publicados principalmente em revistas do campo científico dos Estudos de Linguagem.

A revista 9a Arte vem agora somar-se a esses trabalhos com a publicação do artigo de Maria Aparecida Alves da Silva, da Universidade Federal de São Carlos (campus Sorocaba), intitulado "Semiótica de história em quadrinhos: o processo criativo como tradução de uma ecologia de saberes na divulgação científica", recentemente publicado no dossiê dedicado aos trabalhos apresentados nas 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos.

No artigo, a autora investiga, por meio da análise semiótica, o processo criativo de estudantes de Ciências Biológicas na produção de história em quadrinhos, configurando uma Ecologia de saberes na divulgação científica. Para atingir esse objetivo, escolhe alguns exemplares de história em quadrinhos produzidas durante as aulas de uma disciplina de um curso de licenciatura em Ciências Biológicas para serem analisados, tendo como referencial analítico a Semiótica Peirceana

Os resultados demonstraram uma mobilização de saberes prévios e outros adquiridos no processo, além de um compartilhamento desses saberes em favor da manutenção do grupo, denotando um conhecimento que é próprio do grupo na produção das histórias em quadrinhos (códigos e símbolos pertencentes a área de Biologia, combinados com a linguagem das história em quadrinhos). 

O artigo está disponível emSemiótica de história em quadrinhos: o processo criativo como tradução de uma ecologia de saberes na divulgação científica | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Os paratextos nas histórias em quadrinhos



No segundo artigo do volume 12 da revista 9a Arte, o professor Ricardo Jorge de Lucena Lucas, da Universidade Federal do Ceará, enumera algumas das estratégias paratextuais de obras em quadrinhos que buscam estabelecer algum tipo de relação de referencialidade com a realidade (em termos factuais ou ficcionais). Para atingir tal objetivo, o professor baseia-se nas noções de metacomunicação e enquadramento (Bateson, Watzlawick, Goffman), de metassigno (Volli), de paratexto (Genette), do estatuto do texto ficcional (Searle, Genette) e de signos como instrumento (também) de mentira (Eco, Bougnoux, a partir de Peirce). 

No instigante artigo "Paratextos em quadrinhos factuais: como saber se e quando estamos frente à “realidade”? são analisadas quatro obras em quadrinhos: A arte de Charlie Chan Hock Chye (Sonny Liew, 2015); As mais loucas aventuras de Mickey (Lewis Trondheim e Nicolas Keramidas, 2016); Oleg (Frederik Peeters, 2020); e Guardiões do Louvre (Jiro Taniguchi, 2014). Ao final da análise, constatam-se algumas particularidades do corpus, como a posição editorial da ficha catalográfica.

O artigo está disponível para leitura e download em Paratextos em quadrinhos factuais: como saber se e quando estamos frente à “realidade”? | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

O volume 12, atual edição da revista 9a Arte, referente ao ano de 2024, encontra-se aberto a constribuições. As normas nesse sentido podem ser encontradas em Submissão | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro




quarta-feira, 20 de março de 2024

Mudanças no público leitor de mangá


Quando eu eu passava de adolescente para jovem, lá nos hoje temporalmente distantes idos da década de 1960, o mundo me parecia mais simples. Talvez eu até estivesse enganado, mas tinha a impressão de que os meninos liam gibis (em geral de super-heróis) e as meninas liam fotonovelas (em geral, histórias românticas). Isso hoje é passado. Na realidade, mesmo aquelas produções culturais produzidas para homens ou para mulheres, especificamente, já não são mais consumidas exclusivamente por esse público específico. Nada impede que as mulheres sintam prazer na leitura, por exemplo, de histórias em quadrinhos produzidas para homens. Ou vice-versa. E é bom que seja assim. Já temos rótulos demais.

Refletindo basicamente sobre essa questão no âmbito da produção de mangás, as autoras Beatriz Corrêa Oscar da Silva, Carolina Alves Magaldi e Laura Rodrigues de Freitas, todas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apresentaram nas 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP, o trabalho "Pra lá de onde o gênero faz a curva: as mudanças no perfil do público leitor de mangás shoujo e shounen". O texto, transformado em artigo científico, foi há poucos dias publicado no dossiê especial da revista 9a Arte.

As autoras almejaram discutir a intrínseca relação entre gênero e mangá, visando compreender as mudanças contemporâneas no perfil do público leitor de shoujo (mangá para mulheres) e shounen (mangá para homens). Para tal, explorararam o histórico do mangá como narrativa e representação dos perfis femininos e masculinos, discutiram os pormenores dos subgêneros shoujo e shounen e analisaram os mangás de maior destaque entre leitores do gênero oposto ao alvo da demografia em questão. Para atingir esses objetivos, partiram de pressupostos da Estética da Recepção de Hans Robert Jauss (1994 [1970]), de forma a problematizar as alterações contemporâneas nos quadrinhos japoneses.

A discussão e as interessantes conclusões a que chegaram as autoras podem ser acessadas no endereço eletrônico Pra lá de onde o gênero faz a curva: as mudanças no perfil do público leitor de mangás shoujo e shounen | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro



As representações da morte


A morte já foi representada graficamente de diversas maneiras nas histórias em quadrinhos. A mais classica, talvez, é a de uma mulher descarnada vestindo manto e capuz, carregando sempre uma foice, com a qual "ceifa" as almas dos seres vivos. Ela é em geral apresentada de forma horripilante, como nas narrativas do personagem Dylan Dog, ou com características humorísticas, como nas histórias dos Estúdios Maurício de Sousa. Mas a verdade é que essa representação pode variar de autor para autor, com alguns carregando mais nos pincéis.

Raí Garcia Mihi Barbalho VianaMaria Isabel Borges, ambos da Universidade Estadual de Londrina, buscam um desses autores, o cartunista brasileiro Alberto Benett e analisam as formas como este realiza a representação da morte em sua obra. Como critérios de seleção do corpus, os autores elencam produções publicadas na página do Facebook “Benett Apavora”; gêneros tira cômica e charge; e produções que evidenciem a temática da morte por meio de símbolos visuais reconhecíveis (caveira, ceifador, esqueleto). Nesse sentido, o escopo temporal delimitado (janeiro de 2020 a abril de 2023) parece ter sido muito favorável, pois muitas produções abordavam a pandemia pela Covid-19

O levantamento resultou em 52 textos sobre a morte, sendo 42 charges e 10 tiras. Para o artigo, intitulado "As faces da morte e o lado descarnado da vida segundo Benett", foram escolhidas cinco amostras para análise: duas tiras cômicas e três charges. O aporte teórico é composto por estudos sobre símbolos da morte, linguagem e gêneros das histórias em quadrinhos. A análise comprovou a prevalência da caveira e do ceifador, dada sugestão evocativa da morte, mas atestou que o efeito de sentido da utilização pode ser alterado de texto para texto.

O artigo representa mais uma adição ao dossiê das 7as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, que compõe um número especial da revista 9a Arte. Ver em: As faces da morte e o lado descarnado da vida segundo Benett | 9ª Arte (São Paulo) (usp.br).

Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro